A Associação dos MAridos Periféricos ao Patchwork (AMAPP) terá vida longa caso contrário a nossa será curta. Esta associação, ainda a ser fundada e homologada, é vital para a sobrevivência de um valoroso grupo de pessoas, quase da totalidade do sexo masculino, que há vários períodos históricos tem sofrido reveses importantes e só a divindade conseguiria explicar tal espírito de sobrevivência, quase sempre aguardando que a tarefa tenha sido realizada, pois falta apenas cortar um paninho. Isto mesmo, um paninho que muitas vezes viajou cidades, estados e até continentes, mais viajado que muito dos futuros integrantes desta associação ainda embrionária. Com este paninho, também chamado estampa, tecido, fazenda, retalho vamos aprendendo a quiltar, que a melhor é a Janone, esta linha é o máximo e assim por diante.
Quem de vocês não foi envolvido em peripécias para pendurar um panão na parede, que ficava torto, tinha barriga, ou seja, nunca tinha lugar merecido. Barriga, só a do trabalho, pois as nossas, sejam de tanquinho ou de tancão não merecem atenção. Elas nem notam mais que estão diminuindo de tamanho. Aliás, vocês notaram que de tanto elas se curvarem para cortar, quiltar, medir, elas estão ficando menores? Podem medir. Eu não aposto em menos de cinco centímetros para aquelas que já produziram trabalhos por mais de dois anos. Cinco centímetros. Podem pegar a fita métrica ou aquela régua verde grandona cheia de linhas retas e curvas e vão confirmar. Mas aguardem que elas terminem de cortar o paninho, caso contrário elas crescem no mínimo cinco centímetros e te encaram contrariadas. Muito cuidado senão a medida sai errada. Tudo tem um momento certo e sempre considerem a confecção de um trabalho como um momento impróprio para tratar de assuntos domésticos ou familiares.
Claro que tem um lado bom. Quero desabafar um pouco e tenham dez por cento da paciência que dedicam a suas esposas para comigo que será suficiente para mim. Sou um homem melhor depois que o paninho entrou na vida de minha família. Além de todos estes conhecimentos sobre esta arte de criar panos bonitos, sua técnica, seus materiais e suas habilidades, tive muitas outras aquisições. Por exemplo, acostumei-me a descobrir o cinema, o filme, as poltronas confortáveis e posso ver o filme, comer minha pipoca e tomar o meu guaraná e de vez em quando apertar um paninho que recolhi dos retalhos de panos que se ajuntavam à porta do atelier. Vejam bem, não preciso dividir a pipoca, não tenho que ficar de mãos dadas todo o tempo nem ter dores no cotovelo por ficar de braços enganchados. O retalhinho do paninho resolve bem a saudade repentina. Além disso, minha versão do filme fica sendo a definitiva, a derradeira e a mais detalhada. No futebol também passei a ter companhia. Uma belíssima almofada de patchwork toda trabalhada com as cores de meu time, um desbunde. Posso afofar quando meu time ganha e esfolar quando meu time perde. Outra mudança importante é que consegui incrementar meus dotes culinários. Já faço muitos pratos bastante elaborados, com tempero equilibrado e visual requintado. Sabe qual combustível impulsiona esta metamorfose? Uísque. Sim o uísque. Convido minha esposa para ir cozinhar comigo e a resposta: ”Já vou” e tenho que chamá-la de novo quando a comida esta pronta. Sabem por quê? Tinha que terminar de cortar uns paninhos. Então aprendi que convidando para tomar um uísque também era tentativa frustrada até que a luz iluminou-se dentro de minha mente e novamente convidei: “Vem comigo, meu amor, traz os paninhos porque eu adoraria vê-los e aproveita para tomar um uisquinho comigo”. Não é que funcionou. Senti-me realizado com a minha inteligência e do quanto esta mulher gosta de mim. Tudo é uma questão de descobrir o caminho certo.
Bom, tenho que ir deitar e vou mandar um convite para que concretizemos esta associação, talvea no proximo festival,no melhor bar do local, sem tempo para terminar a sessão de instalação.Afinal, elas estarão falando de Patchwork. Viram eu até estou falando como se membro fosse do retalhos da alegria. Acredito que todos concordam que nossa vida não é mais a mesma depois do aparecimento do paninho.
Carlos Ritter, marido da Ada Patchritter.










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