Home Data de criação : 08/11/21 Última atualização : 11/10/17 11:51 / 113 Artigos publicados

Patchwork. Nada será como antes....amanhã  escrito em sábado 22 novembro 2008 11:59

ocupação, patchwork, relacionamento conjugal

          A Associação dos MAridos Periféricos ao Patchwork (AMAPP) terá vida longa caso contrário a nossa será curta. Esta associação, ainda a ser fundada e homologada, é vital para a sobrevivência de um valoroso grupo de pessoas, quase da totalidade do sexo masculino, que há vários períodos históricos tem sofrido reveses importantes e só a divindade conseguiria explicar tal espírito de sobrevivência, quase sempre aguardando que a tarefa tenha sido realizada, pois falta apenas cortar um paninho. Isto mesmo, um paninho que muitas vezes viajou cidades, estados e até continentes, mais viajado que muito dos futuros integrantes desta associação ainda embrionária. Com este paninho, também chamado estampa, tecido, fazenda, retalho vamos aprendendo a quiltar, que a melhor é a Janone, esta linha é o máximo e assim por diante.

           Quem de vocês não foi envolvido em peripécias para pendurar um panão na parede, que ficava torto, tinha barriga, ou seja, nunca tinha lugar merecido. Barriga, só a do trabalho, pois as nossas, sejam de tanquinho ou de tancão não merecem atenção. Elas nem notam mais que estão diminuindo de tamanho. Aliás, vocês notaram que de tanto elas se curvarem para cortar, quiltar, medir, elas estão ficando menores? Podem medir. Eu não aposto em menos de cinco centímetros para aquelas que já produziram trabalhos por mais de dois anos. Cinco centímetros. Podem pegar a fita métrica ou aquela régua verde grandona cheia de linhas retas e curvas e vão confirmar. Mas aguardem que elas terminem de cortar o paninho, caso contrário elas crescem no mínimo cinco centímetros e te encaram contrariadas. Muito cuidado senão a medida sai errada. Tudo tem um momento certo e sempre considerem a confecção de um trabalho como um momento impróprio para tratar de assuntos domésticos ou familiares.

            Claro que tem um lado bom. Quero desabafar um pouco e tenham dez por cento da paciência que dedicam a suas esposas para comigo que será suficiente para mim. Sou um homem melhor depois que o paninho entrou na vida de minha família. Além de todos estes conhecimentos sobre esta arte de criar panos bonitos, sua técnica, seus materiais e suas habilidades, tive muitas outras aquisições. Por exemplo, acostumei-me a descobrir o cinema, o filme, as poltronas confortáveis e posso ver o filme, comer minha pipoca e tomar o meu guaraná e de vez em quando apertar um paninho que recolhi dos retalhos de panos que se ajuntavam à porta do atelier. Vejam bem, não preciso dividir a pipoca, não tenho que ficar de mãos dadas todo o tempo nem ter dores no cotovelo por ficar de braços enganchados. O retalhinho do paninho resolve bem a saudade repentina. Além disso, minha versão do filme fica sendo a definitiva, a derradeira e a mais detalhada. No futebol também passei a ter companhia. Uma belíssima almofada de patchwork toda trabalhada com as cores de meu time, um desbunde. Posso afofar quando meu time ganha e esfolar quando meu time perde. Outra mudança importante é que consegui incrementar meus dotes culinários. Já faço muitos pratos bastante elaborados, com tempero equilibrado e visual requintado. Sabe qual combustível impulsiona esta metamorfose? Uísque. Sim o uísque. Convido minha esposa para ir cozinhar comigo e a resposta: ”Já vou” e tenho que chamá-la de novo quando a comida esta pronta. Sabem por quê? Tinha que terminar de cortar uns paninhos. Então aprendi que convidando para tomar um uísque também era tentativa frustrada até que a luz iluminou-se dentro de minha mente e novamente convidei: “Vem comigo, meu amor, traz os paninhos porque eu adoraria vê-los e aproveita para tomar um uisquinho comigo”. Não é que funcionou. Senti-me realizado com a minha inteligência e do quanto esta mulher gosta de mim. Tudo é uma questão de descobrir o caminho certo.

               Bom, tenho que ir deitar e vou mandar um convite para que concretizemos esta associação, talvea no proximo festival,no melhor bar do local, sem tempo para terminar a sessão de instalação.Afinal, elas estarão falando de Patchwork. Viram eu até estou falando como se membro fosse do retalhos da alegria. Acredito que todos concordam que nossa vida não é mais a mesma depois do aparecimento do paninho.

 

Carlos Ritter, marido da Ada Patchritter.

 

 

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3 comentário(s)

  • cecilia de souza silva mailto

    Qua 11 Nov 2009 13:18

    Me emocionei sou apaixonada por patchwork e infelizmente não tive apoio como vcs tem um com o outro estou juntando amigas para fazer esse trabalho de carinho meu casamento acabou porque eu estava caminhando só agora preciso começar tudo de novo! cortando os poninhos e fazendo ARTE!

  • Ada Patchritter

    Seg 24 Nov 2008 15:43

    Meu Deus, agora estou dividida entre dois textos maravilhosos... O primeiro, é claro, ligado inteiramente a minha pessoa, escrito pela pessoa que mais amo neste mundo...Que apesar dele falar assim dos meus paninhos, sabe que eu o amo assima de qualquer coisa, e tambem eu sei que ele se orgulha muito dos meus trabalhos... E agora o texto da Ciça, amiga muito amada, que além de trabalhar maravilhosamente com os paninhos , agora se revela uma escritora. Que fala da nossa relação com estes..... Muito lindo Ciça...

  • Maria Cecília Mor mailto

    Seg 24 Nov 2008 13:29

    Ao nscermos, o médico ou a parteira nos envolvem num paninho, para manter nosso corpinho aquecido.
    Ao crescermos, nossa mãe, avó, tias, madrinhas e outras queridas sempre nos presenteiam com roupinhas que muitas vezes são costuradas por elas mesmas.
    Quando nos engajamos socialmente, as roupas que usamos refletem o momento histórico em que vivemos, a escolha que fazemos, as cores que gostamos e muito do que pensamos. O paninho nos remete, também, ao nosso interior. A uma certa altura de nossas vidas percebemos que o que vestimos nem sempre reflete aquilo que somos. E que a sofisticação deve surgir de dentro para fora.
    As roupas, feitas de paninhos, podem ser usadas como oferendas simbólicas: eu vou me vestir bem bonito para ir à sua festa, uma data tão importante.
    No encerramentoi de nossas vidas, as pessoas que amam as que enterram sempre as vestem com a roupa que ela mais gostava. Roupa feita de paninhos.
    Nos nossos momentos de amor, dividimos o calor dos nossos corpos com os lençóis, edredons, colchas... todos feitos de paninhos.
    Quando choramos, sempre há um lenço amigo para nos confortar... feito de paninhos.
    Nossa bandeira nacional, a bandeira da pátria em que nascemos; a bandeira de nosso time, o time que amamos; a bandeira de nossas causas, as causas que defendemos... todas elas são feitas de paninhos.
    As múmias que sobreviveram através dos tempo são descobertas pelo mundo todo, sempre envolvidas em paninhos. Delas, muito pouco. Mas os paninhos continuam lá, firmes, atravessando os dias, meses, anos, décadas, milênios....
    Jesus Cristo deixou a marca do seu rosto triste...em um paninho.
    Maria traz sempre consigo um manto sagrado...feito de paninho.

    As mulheres são seres especiais. Como é que, sendo especiais, poderiam virar as costas aos paninhos, se eles trazem em si tanta riqueza, tanta história e tantos segredos?

    Paninhos... os paninhos contam tudo. Neles estão muitos segredos, muitas histórias, muitas lembranças... com eles, artistas têxteis podem sacralizar sua expressão artística e todo o momento histórico em que vivem; com eles, muitas mulheres podem produzir calor nas mantas que fazem para doar a quem precisa: transformam simples paninhos em retalhos de alegria; com os paninhos é possível encontrar o centro de si mesmo: no agasalho, na expressão, no presente recebido, no presente escolhido para dar, na homenagem, na dor, em tudo...
    Presentes sempre vêm embrulhados, trazendo as surpresas. E quem é que faz o laço que enfeita a surpresa? A fita...feita de paninho.
    Em todos os momentos importantes ou banais de nossas vidas, lá está o paninho.
    P de paixão
    A de amor
    N de necessidade
    I de inesquecível
    N de namorar
    H de harmonia
    O de obra-prima

    Muita poesia poderíamos fazer com as letras que compõem os paninhos.

    E agora, uma associação de maridos. Até a atenção deles o paninho consegue atrair. É algo que vai além do churrasco, do futebol e da profissão deles: é algo nosso que mexe com eles.
    Os psiquiatras deveriam usar paninhos nas terapias que desenvolvem.
    Terapia com paninhos. Nada mais atraente. E nada mais envolvente. Antes de começar, já posso até antever: sucesso absoluto com resultados inesperadamente maravilhosos!

    Ah... os paninhos.....
    Paninhos de todas aas cores, todas as texturas, todas as nacionalidades, todas as épocas....
    Integração do bicho com a seda.... do homem com a arte... da história com a vida....
    Paninhos!!!!!!

    Nos paninhos, todas as respostas.... sempre. De sempre ... Pra sempre...


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