A Maria Cecília escreve um comentário espetacular a respeito dos paninhos, com os quais eu brinco no artigo anterior. Fala da textura dos panos, da composição, das cores e principalmente das historias que estes pedacinhos de tecidos nos remetem.
Meu pai era um grande contador de histórias. Eu as ouvia deitado em minha cama e coberto por paninhos, que tinham muitos cheiros. Nem me dava conta na época que aquelas histórias eram inventadas, todas elas, mas era componentes de uma colcha de reltalhos das vivências da infância de meu pai, de meu avô, bisavô e sei lá mais quem. Vivências aos pedaços, compondo uma personalidade que se materializaria mais tarde como agradecida aos paninhos que foi pegando aqui, alí e em todos os lugares.
Minha mãe era galinha choca. Criou e cuidou de seis filhos. Criou bem, diga-se de passagem. Acredito, não me lembro bem, que todos nós tinhamos os nosso objetos transicionais - que nos ajudam a passar de fase com menos turbulências, sem muita dor ou saudade. Objetos que nos facilitasse acreditar que na hora que precisassemos, a mãe estaria por ali. Bom, se todos tiveram, todos eram paninhos, paninhos com cheirinho de mamãe, de leite e outras coisas mais que como quero ser poético vou suprimir. Mas era o cheiro da mãe, do pai, das coisas boas da infância que não voltam jamais, porém, não esquecemos jamais.
Então Maria Cecília - Cissa - teus comentários são realmente não só para as mulheres. Todos fazemos patchwork e usamos nossas técnicas calejamente obtidas. Esta obra que ganharia qualquer festival chama-se vida. Então, um brinde a vida e aos paninhos que a compõem.
Carlo Ritter










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